| Comunicado: Parque de Campismo do Porto Santo: o princípio do fim? |
Mais acrescentamos, a justificação apresentada pelo Presidente do Governo Regional é vergonhosa tendo em conta que, se existe uma diminuição da procura do Parque de Campismo, a culpa é do Governo Regional e da Câmara Municipal de Porto Santo que deixaram ao acaso a manutenção do supra mencionado fazendo que, com o passar do tempo, este chegasse ao estado de degradação e precariedade em que se encontra neste momento. Degradação e precariedade estas que, no entender do Governo Regional e considerando as declarações proferidas pelo seu Presidente, se irá manter pelo menos até 2011. É incompreensível que o Presidente do Governo Regional afirme convictamente que a reconstrução do Parque de Campismo não é uma prioridade para uma ilha cuja economia assenta no turismo. Acaso esqueceu-se que a maioria dos turistas que sustentam a ilha de Porto Santo são madeirenses? E, para mais, jovens? O facto de se assumir que o Parque não será transferido e a entrega do terreno que estava destinado à construção do mesmo à Câmara para que esta construa um “espaço público” só pode significar, a nosso ver, que o Parque não será transferido para outro local, nem mesmo em 2011. Deverá a JS-Madeira depreender que a estratégia do Governo Regional, neste âmbito, consiste em fazer desaparecer o Parque de Campismo, não passando tudo isto de uma encenação para silenciar as vozes daqueles que se queixam do estado lastimável em que se encontra o Parque?!? Inaceitável! Transformar o Porto Santo num “destino de qualidade”, objectivo do Governo Regional há tantos anos, não se coaduna de forma alguma com a existência de um Parque de Campismo nas condições em que actualmente se encontra. Não obstante, a concretização deste objectivo não pode ter como premissa o desaparecimento de um Parque de Campismo procurado por milhares de madeirenses, seja por uma questão financeira, seja por uma questão de gosto pela aventura. É um facto que os números têm vindo a decrescer, existe uma menor procura. Mas aí é que está! O cerne da questão é precisamente esse. Cada vez menos pessoas recorrem ao Parque de Campismo. Não terá isso que ver com a falta de condições com que nos deparamos logo à entrada? É inverosímil incentivar ao campismo quando se trata de uma infraestrutura em condições de degradação evidente! Parece-nos de extrema importância salientar o facto de existir um projecto de construção do novo Parque de Campismo do Porto Santo há já alguns anos. Mais concretamente, este projecto foi apresentado pelo Sr. Francisco Taboada, em 2005, como parte do Plano de Investimentos da SDPS para o período compreendido entre 2005-2008. Na altura dizia o Sr. Taboada que esta seria uma “obra para ser iniciada até ao final do corrente ano”. Estamos em 2008! Porquê adiar até agora e alegar “falta de verbas” para a construção do novo Parque, tentando colmatar essa falha com a construção de um “espaço público” no local onde deveria localizar-se o novo Parque? Muitas alegações, muitas justificações, muitas promessas de novos “espaços públicos”, e nem uma declaração sobre uma eventual recuperação do actual Parque de Campismo. Fazendo as contas, se vão ocupar o terreno para onde se deslocaria o novo Parque, para onde se deslocará o actual Parque em 2011?? Ou estará o Governo Regional seriamente a ponderar a hipótese de erradicar a classe média/baixa da ilha dourada? Em plena crise mundial, em que o poder de compra dos madeirenses é cada vez menor, o Presidente do Governo Regional tem o desplante de vir a público dizer que os madeirenses procuram outras condições…. Sejamos realistas! Os madeirenses procuram férias, sim, mas ao mais baixo custo possível. É imperativo ter em conta que aqueles que ainda têm possibilidades financeiras para sair da ilha da Madeira, procuram o destino de férias mais barato. Ora bem, sendo um dos objectivos do Plano de Investimentos da SDPS o desenvolvimento da ilha dourada, parece-nos contraditória toda esta estratégia governamental. Ou será que o objectivo é incentivar os madeirenses da classe média/baixa a ir para Canárias e transformar, finalmente, a ilha dourada num “destino de qualidade” de unidades 5 estrelas. Parece-nos evidente que o objectivo é transformar a ilha dourada num gigantesco resort 5 estrelas em vez de proporcionar mais qualidade e bem-estar aos madeirenses que sempre foram fiéis a Porto Santo. É evidente que o Governo Regional esqueceu que um dos objectivos do PDES é, precisamente,” aumentar a coesão territorial propiciando condições de equidade social e territorial no acesso aos bens”. O acesso dos madeirenses aos bens da ilha dourada são cada vez mais limitados. Promover o bem-estar social e económico das populações, potenciado os valores e recursos naturais endógenos (tal como a JS-Madeira defendeu no Projecto de Resolução já referido) por forma a sustentar nestes uma maior qualidade de vida parece ser um objectivo que está para além das capacidades deste Governo Regional do PSD, lamentavelmente.
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